terça-feira, 30 de agosto de 2011

Inspiração do dia!

Soneto XXX


Quando invoco, em sessão da mente suave e quieta,
A memória e revejo os meus tempos vividos,
De muita coisa amada a falta me inquieta
E com velhos ais choro os meus anos perdidos.
Vêm-me aos olhos, a flux, lágrimas desusadas
Por amigos que a noite infinita da morte
Oculta, e outra vez sofro agruras já aplacadas
Que a saudade renova, anuviando-me a sorte.
Sucumbido, afinal, da velha pena à afronta
Repasso, com o amargor que em minha alma recresce,
Das queixas de outro tempo a malfadada conta
Paga de novo, enfim, como se inda devesse.
Mas, quando penso em ti, meu caro amigo, esqueço
Minhas perdas, e já nenhuma dor padeço.

WillIiam Shakespeare



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