terça-feira, 1 de novembro de 2011

57ª Feira do Livro de Porto Alegre: letras e sonhos

Olá!
Como está você?!

     Começou em 28 de outubro a célebre Feira do Livro de Porto Alegre, um dos eventos mais importantes do ano na capital gaúcha. Em sua 57ª edição, com o slogan "Descubra sua feira", a programação conta esse ano com uma grande novidade: a proposta dos Dias Temáticos! Dessa forma, em seus 19 dias de duração, serão abordados os temas: Biblioteca; Livro e Leitura; Suspense; Literatura de Terror; Viagens; Cinema; Humor; Cultura Popular; Conto; Gastronomia; Afrodescendência; História; Antropologia; Corpo/Saúde/Erotismo; América Latina; Direitos Humanos e Acessibilidade; Dia Mundial da Gentileza; Ecologia e Comunicação. Confira a programação clicando aqui!


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     Para mim, no entanto, o maior atrativo da feira é o considerável aumento de encontros com os autores, seja em bate-papos, oficinas, palestras... Só para você ter uma ideia, segundo o site oficial do evento, estão previstas cerca de 700 sessões de autógrafos! Ou seja, nunca se promoveu de forma tão grande a interação entre autores e leitores!

    E claro que não fiquei apenas com essas informações! Apesar de não ter tido experiências boas em outras edições, decidi dar uma chance à feira nesse ano, principalmente porque alguns dos meus autores preferidos estarão conversando com seus leitores e autografando. Assim, ontem fiz minha primeira visita!

     Impressões:
     Como havia me planejado, o principal objetivo do dia ontem era assistir a um bate-papo com os autores Eduardo Spohr, Leonel Caldela, Raphael Draccon, Carolina Munhóz sobre os "Rumos da literatura de entretenimento e fantasia no Brasil". 



   
      Sinceramente? Foi um excelente encontro! Confesso que conhecia apenas "Dragões de Éter" de Raphael Draccon (o qual, inclusive, já escrevi aqui no blog, lembra?!) e alguma coisa sobre os livros de Eduardo Spohr, autor de "Filhos do Éden" e "A Batalha do Apocalipse", logo, foi ótimo poder ouvir e conhecer um pouquinho sobre Leonel Caldela - "Deus Máquina" - e Carolina Munhóz - "A Fada".

     Como eu ainda não havia lido sobre qual temática seria promovida no bate-papo (estava tão absurdamente empolgada que apenas anotei o dia na agenda!), havia pensado em várias perguntas para fazer, quase todas relacionando literatura-cinema-internet, e me surpreendeu que foi  justamente sobre isso que o debate se desenvolveu. 

     De uma forma super informal e divertida, foram exploradas questões como a influência da pirataria no mercado editorial, a internet como meio provedor de uma maior interação entre o autor e seus leitores, os jogos e o cinema como plataformas do fantástico junto ao livro, relações entre autor-obra, no quesito vivências, e algumas dicas para escritores iniciantes.

     Para mim, esse debate foi muito interessante, porque vários dos pontos que ali surgiram responderam a dúvidas que me inquietavam. Assim, eu não posso deixar de fazer algumas conclusões a partir de tudo o que foi abordado! Vamos à elas!

      A popularização do acesso às tecnologias sempre terão efeitos positivos e negativos sobre qualquer coisa. No caso da literatura, o que muito preocupava era a questão do livro ser subjugado, primeiramente pela internet, no que diz respeito à pirataria, e, segundo, pela comercialização do livro em formato digital. Eu já me opunha a isso há bastante tempo e, ontem, pude reafirmar isso: o livro de papel não irá "desaparecer". Falar isso aos sete ventos parece soar como uma profecia barata e sem graça. Mesmo os autores, esses que poderiam ser potencialmente prejudicados pelo conteúdo de seus livros estarem disponíveis em arquivos porcos para download, não acreditam que isso possa ocorrer: seja através de uma cópia digital, legal ou não, sempre haverá dois movimentos, e ambos voltam ao livro-objeto - o do leitor que não troca a obra impressa por uma versão digital, e o daquele que irá transpor um estágio inicial de leitura no computador para o papel, adquirindo um exemplar físico. Logo: livro condenado às estantes poeirentas de bibliotecas e sebos? "Isso non ecziste!"

     Outra coisa: pirata ou oficial, digital ou papel, novas histórias e autores surgirão sempre, de modo que a preocupação não deveria recair tão somente no formato do livro, mas sim na qualidade da literatura que vem sendo oferecida aos leitores. Isso implica, para escritores, em concorrência e na briga por oportunidades, para editoras, na diversificação do produto que oferece, e para leitor, no que ele considera ser "bom para ler", o que lhe interessa e como buscar isso nos livros, consumindo-os, divulgando-os e interagindo com eles, tudo isso em um amplo processo na constituição de um cenário da atual literatura brasileira e estrangeira.

     Por último, ficou bastante explícito na fala dos autores que uma mídia jamais exclui a outra: ambas se complementam. Seja para inspiração do autor, seja para criações independentes por parte dos leitores, ou mesmo pela busca de experiências estendidas a partir de um mesmo tema de interesse, nunca se percebeu tão bem a relação entre literatura-cinema-jogos-internet-música. Não é apenas uma questão de "globalização". Já chegamos a um ponto em que nos tornamos tão exigentes que isso extravasa pelas mais diferentes formas de mídia: um enredo, várias formas de contar e interagir. Não é fantástico?


    Para terminar, basta dizer que eu ainda não baixei das nuvens! Tudo isso porque consegui realizar meu sonho de ter um livro autografado por meu autor de literatura juvenil best ever, Raphael Draccon!! Esperei em uma fila gigantesca, mas não desanimei! 



     
     Enquanto fazia uma dedicatória, pude trocar algumas palavras com o Raphael (foi muito legal: comentei sobre a relação de dois personagens e ele disse algo como "Ah é? Fala um pouco sobre isso aí então!" o.o OMG, poder falar sobre suas impressões pessoais com o criador dos personagens que você adora, com certeza, é um momento único! Ele ainda me mostrou os desenhos super bonitos que ganhou de duas meninas que também foram para ter seus livros autografados e, quando tiramos uma foto juntos, pediu para postar no FaceBook! Tenho que dizer, no quesito interação com os fãs, Raphael Draccon é incrível!). 


     Eu só lamento não poder ter me lembrado de algumas perguntas que realmente queria saber as respostas... Fica para uma próxima!!




     O fato é que saí da feira ontem com um sorriso do tamanho do mundo na cara - e tenho a impressão de ver estrelas até agora!! Também vieram comigo algumas certezas e, entre dois livros novos "velhos",  "Círculos de Chuva" autografado, alguns marcadores de página e minha máquina fotográfica, novos sonhos também.





     Eis a grande magia dos homens: a capacidade de encantar e ser encantado pelo vasto e fantástico mundo das histórias, a forma mais pura e antiga de viver o (im)possível, o verdadeiro ode aos sentimentos e aos sonhos!





     Valeu a pena. Cada segundo!

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