quarta-feira, 27 de abril de 2011

Inspiração do dia: "Au Jardin Des Sans Pourquoi"


Au jardin des sans pourquoi

Retournons avant la guerre
Avant la fin
Avant le besoin de toutes ces prieres
Aucun mal
Aucun bien
Aucun mot croche
Ni mots malins que l'on dit quand on n'sait pas

Sous un ciel bleu, ciel sans nuage
Retournons la-bas
Sans orage
Retournons la-bas
Au jardin des sans pourquoi

Je t'ai vue te promener la-bas
Sous l'arc-en-ciel
Brillante comme une etincelle dans la nuit
Ou je t'ai vue aussi
Tombant du ciel
Comme une larme de St Laurent, disparaissant
Dans un ciel bleu, ciel sans nuage
Retournons la-bas
Sans orage
Retournons la-bas
Au jardin des sans pourquoi






O jardim onde não há porquês

Retornamos antes da guerra
Antes do final
Antes de precisar de todas aquelas orações
Nenhum mal
Nenhum bem
Nenhuma palavra desonesta
Nem palavras inteligentes que dizemos 
quando não sabemos

Sob um céu azul, céu sem nuvens
Retornamos para lá
Sem tempestade
Retornamos para
O jardim onde não há porquês

Eu vi você fazer uma caminhada por lá
Sob o arco-íris
Brilhante como uma centelha na noite
Ou eu te vi também
Caindo do céu
Como uma lágrima de São Lourenço, 
desaparecendo
Em um céu azul, céu sem nuvens
Retornamos para lá
Sem tempestade
Retornamos para
O jardim onde não há porquês

Música de Josh Groban
Letra de Rufus Wainwright e Kate McGarrigle 
Pintura de Oscar-Claude Monet


Abaixo, o vídeo que fiz com a tradução da música!


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Inspiração do dia!


"Soy hombre: duro poco
Y es enorme la noche.
Pero miro hacia arriba:
Las estrellas escriben.

Sin entender compreendo:

También soy escritura
Y en este mismo instante
Alguien me deletrea."

                                      Octávio Paz



terça-feira, 5 de abril de 2011

A moça tecelã: um conto de fadas moderno



     "Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

    Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.


     Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.


     Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.


     Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.


     Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.


     Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

     Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

     Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

    Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

     Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

     Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

     E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

     — Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

     Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

     — Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.


     Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

     Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

     — É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

     Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

     E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

     Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

     Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

     A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

     Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte."


COLASANTI, Marina. Doze reis e a moça no labirinto do vento. 12 ed. Global Editora, 
Rio de Janeiro, 2006.



     Conheci Marina Colasanti através do conto "Um desejo e dois irmãos", e acabei me apaixonando pela sua forma de escrever. Ela tem um estilo próprio: esse quê de melancolia, o uso do sujeito oculto, o elemento surpresa ao final do conto, a ousadia... Se escrevesse também, gostaria de publicar trabalhos na linha dos dela!



     E você, o que achou desse conto às avesas?!

sábado, 2 de abril de 2011

A vez dos anjos!

        Olá!! Tudo bem?!
      O post de hoje é dedicado à literatura fantástica: aos anjos!
      Eu sei, eu sei... Pode até ser apelativo, mas tenho que confessar que algumas das histórias são realmente boas! E, como escrevi anteriormente em outro post, eu não tenho nada contra best-sellers!! Ao contrário, eu até apóio! (Alguém aí se lembra de Harry Potter, digo, dos LIVROS Harry Potter?? Pois é... Minha grande motivação para me tornar uma leitora compulsiva e crítica veio deles!!)

      Após uma avalanche de vampiros, lobisomens, fantasmas e afins, os anjos tornam-se os grandes queridinhos do momento e tomam conta das prateleiras nas livrarias (ainda há tempo para você desengavetar algum projeto com essa temática...!). 
     Dentre tantos títulos e capas visualmente bem elaboradas, já li ao menos um de cada uma das séries (sim, séries! Parece ser, junto a "trilogia", as palavras de ordem ultimamente! Ai, meu rico dinheirinho!) abaixo e deixo meus singelos comentários sobre os enredos:

"Beijada por um anjo"
Autora: Elizabeth Chandler
Trilogia: "Beijada por um anjo", "A força do amor" e "Almas gêmeas"
Editora: Novo Conceito

Resumo (livro 1): "O nadador Tristan era o rapaz mais popular da escola e habitava o imaginário de todas as meninas da cidade. Na verdade quase todas, menos Ivy Lyons. Ivy só queria a companhia dos anjos. Seu preferido, desde menina, era Tony, o anjo da água, desde que o chamou pela primeira vez ao cair em uma piscina, sem saber nadar. A paixão envolvente, o companheiro ideal e a crença nos anjos são interrompidos no dia em que Tristan sofre um acidente. Uma linda história de amor interrompida cedo demais..."
        Comentários: Peguei esse livro na biblioteca da faculdade, minha técnica mais certeira quando não tenho dinheiro para gastar na compra de um ou quando não sei se o investimento é "seguro" (cansei de me decepcionar... R$ 30, 40,00 podem ser usados para comprar muitas coisas - ou não!). Achava que essa era só mais uma histórinha adolescente, mas realmente gostei da escrita da autora: li em um dia! 
        Apesar de um pouco confuso devido à formatação - às vezes o assunto muda tão drasticamente de um parágrafo para o outro, o que chega a dar um nó no cérebro - a leitura flui e evolui. Pena que a história no Brasil foi dividida em três volumes... 

        Diferencial: sabe aquela história de que quando as pessoas morrem elas viram anjos? Então...
        
           
"Fallen"
Autora: Lauren Kate
Trilogia: "Fallen", "Torment" e "Passion"
Editora: Galera Record

Resumo (livro 1): "Algo parece estranhamente familiar em relação a Daniel Grigori. Solitário e enigmático, ele chama a atenção de Luce logo no seu primeiro dia de aula no reformatório. A mudança de escola foi difícil para a jovem, mas encontrar Daniel parece aliviar o peso das sombras que atormentam seu passado: um incêndio misterioso - que provocou a morte de seu namorado - levou Luce até ali. Irremediavelmente atraída por Daniel, ela quer descobrir qual é o segredo que ele precisa tanto esconder- uma verdade que poderia matá-la. Algo que, em suas vidas passadas, Daniel não conseguiu evitar."
      Comentários: Pois é... Escola... Pessoas com problemas... Mocinhos misteriosos... Mas não resisti! Dei esse livro de presente e... Foi um êxito! A história consegue evoluir, mesmo que às vezes dê vontade de bater na protagonista que, em suas crises de burrice e inferioridade à la Bella Swan, torna-se um tanto irritante! Mas a autora consegue equilibrar os autos e baixos e a leitura é ótima! Pena, novamente, que tem continuação!

        Diferencial: Maldição significa alguma coisa para você?



"Halo"
Autora: Alexandra Adornetto
Trilogia: "Halo", "Hades" e ... indefinido ainda!
Editora: Agir

Resumo (livro 1): "Três anjos são enviados à Terra com planos de se misturarem aos humanos para assegurar a paz e trazer a bondade. Gabriel, o Herói de Deus, um antigo guerreiro que se disfarça de professor de música; Ivy, serafim abençoada com poderes de cura; e Bethany, a mais nova e inexperiente do grupo, enviada como uma jovem estudante para aprender sobre a humanidade. Após Bethany se encantar com a vida humana, ela começa a viver todas as experiências de uma adolescente normal, até se apaixonar por um rapaz e coloca toda a missão em risco. As forças do mal se aproveitarão dessa situação para pôr seus planos malignos em prática. "
        Comentários: Esse eu comprei para mim e, para variar, como fazia tempo que eu não me decepcionava... O que posso dizer? Eu não curto personagens bobinhos demais... Tolero ingenuidade, mas até um determinado ponto. Quando parece que a história vai realmente ficar um pouquinho melhor, uma única frase consegue estragar tudo... Sei lá. Acho que estou meio crítica demais no momento. Sorry, Alexandra, você não me convenceu!

        Diferencial: Anjos indo à "campo", tentando adaptar-se ao cotidiano humano a fim de ajudá-los a partir de pequenas ações.


"Sussurro"
Autora: Becca Fitzpatrick
Trilogia "Hush Hush": "Sussurro", "Crescendo" e "Silêncio"
Editora: Intrínseca


Resumo (livro 1): Nora é uma menina responsável. Aos 17 anos, ela tira boas notas e sempre avisa à mãe aonde vai e o que está fazendo. Nem mesmo garotos a fazem perder o foco nos estudos. Até porque, apesar das tentativas de sua melhor amiga, Vee, de lhe arrumar um pretendente, ela nunca se interessou por ninguém na escola. Pelo menos não até ela conhecer Patch, seu novo colega na aula de biologia. Patch parece estar em todos os lugares e saber tudo sobre ela. Seu jeito ao mesmo tempo sedutor e perigoso faz com que Nora fique imediatamente intrigada. E encantada.


Leia o primeiro capítulo em PDF aqui!

      Comentários: Eu não dava muito por esse livro. Em matéria de anjos, eu estava um pouco decepcionada após a leitura de "Halo" e a conclusão de "Beijada por um anjo". Porém, a história de "Sussurro" me ganhou! 
      
      Mais ao estilo de "Crepúsculo" (reparei nisso nos primeiros parágrafos e relacionei ao fato da história ser publicada pela Intrínseca), Patch faz às vezes de engraçadinho-perigoso, difícil de prever, daquele que tem sempre uma resposta para tudo na ponta da língua. Por ser um anjo caído, do tipo que já foi ruinzinho um dia, faz com que a leitura flua, porque você sempre quer saber qual é a próxima tirada! E elas sempre são ótimas! Risadas garantidas!

        Diferencial: Sacadas inteligentes, ritmo, humor e sorrisos, muitos sorrisos debochados!

     
     É isso!! Conhece outros títulos? Quer dar sua própria opinião sobre as histórias apresentadas nesse post? Fique à vontade!!
       
       Até a próxima!!

Inspiração do dia!


Disse tudo, Tim!!

Bom final de semana!!
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