domingo, 26 de julho de 2015

"Sonhos": texto próprio

     Olá!

     Ontem, 25 de julho, foi o dia do escritor. Li uma citação de José Saramago no FB, se não me engano, que dizia que todas as pessoas são escritoras. No entanto, algumas escrevem, outras, não. 

     Quando eu era adolescente, minhas amigas e eu amávamos criar histórias! Tínhamos cadernos que trocávamos entre nós para ler o que escrevíamos. Era muito divertido! E, claro, nós também pensávamos em, um dia, publicar livros (o tempo passou e nenhuma de nós tem seu nome na capa de um best-seller, por sinal! xD ).

     Eu deixei de escrever qualquer coisa por um tempo considerável. Pensando bem, também não ando sendo uma leitora assídua... 

     Hoje foi dia de faxina e, enquanto arrumava meus papéis do trabalho, encontrei um texto redigido ano passado. Pensei que poderia usá-lo para um desafio ao qual estava respondendo e que pedia uma história - só que o tema não combinava muito com a proposta... 

     Não me lembro de já haver publicado algo assim por aqui, mas... Fiquei olhando para o papel e decidi que postaria o que estava registrado ali, meio que em 'homenagem' ao meu antigo eu, que queria escrever não apenas para si, mas para as pessoas! Foi um texto que me ocorreu de forma muito clara e prazerosa, desenvolvido de uma só vez, e que assim o intitulei:

Sonhos


        Início de mais uma noite.

No silêncio do escuro quarto, fecho os olhos do corpo e, praticamente, no mesmo instante, os olhos de minha alma se abrem. É quando posso ver, ouvir, e sentir as coisas mais inesperadas, as coisas mais fantásticas e, algumas vezes, as coisas mais assustadoras também. 

        Chamam essas experiências de ‘sonhos’.

É quando...

... Corro como o vento por uma floresta, fugindo de um perseguidor que não sei quem é, mas que não me deixará escapar...

... Ando pelas ruas de um mercado aberto em um dia ensolarado, vendo as pedras da calçada emanarem imagens distorcidas pelo calor do sol...

... Me puxam com força para dentro de um lago de água fria e, entre algas verdes e folhas caídas, um estranho ser encantado segura minha mão e me convida com seus olhos a conhecer seu mundo submerso...

... Estou na torre de um castelo, em uma sala coberta por pinturas antigas e perfumada por fumaça de incensos, abrindo uma caixa de madeira decorada com desenhos de estrelas. Dentro dela, um caleidoscópio que reflete em seus espelhos os fragmentos de memórias que se perderam no tempo ou que foram arrancadas de seus donos...

... Observo, sobre as ondas calmas de cor verde esmeralda, a dança das fadas do mar, com suas asas de cristais de sal, coroas feitas de conchas e pérolas, e vestidos de espuma branca...

... Flutuo no ar, voando como se não tivesse peso, pousando onde quiser, com a graciosidade e leveza de uma pluma...

... Sou homem, mulher, criança, velho. Fujo, persigo. Busco, encontro – às vezes, perco; me perco. Falo, escuto, leio e escrevo em línguas diferentes.

Muitas vezes esqueço tudo isso. Muitas vezes, gostaria de lembrar. Outras vezes, agradeço por esquecer.

Chamam essas experiências de ‘sonhos’.

A claridade da manhã passa por minhas pálpebras. Abro os olhos do corpo.

Início de mais um dia.


    * 'The Stuff That Dreams are Made Of', pintura de John Anster Christian Fitzgerald

4 comentários:

  1. Gostei bastante do seu texto. Espero poder ler mais textos seus por aqui! :) Eu também gosto bastante de escrever, mas não tenho tido muito tempo para isso ultimamente. Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada, Jenny! <3

      Espero que encontre tempo para escrever! É tão bom, não?!!

      Beijos!

      Excluir
  2. Que texto lindo! Poste outros textos como esse.

    Adoro ver as pessoas praticando sua poética!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Luana, muito obrigada!!

      Pretendo escrever mais sim! Talvez poste mesmo! <3

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...